Terça-feira, Junho 16
A-ban-do-na-do.
ao léu da vida nua.
pela rua
minha lamúria se vai
minha sombra me trái.
Quarta-feira, Junho 3
Junho
e a falta de coragem pra se livrar da vida...
Quinta-feira, Maio 14
Maio
O melhor presente
digo
a fumaça circular
meu inimigo
de papel e cera
e vozes
que não dizem nada
e o nada
é sempre o mesmo
nada
quando se faz aniversário
em duas linhas.
O melhor presente
dos meus sentidos
é ter sentido
um colo
sujo
de lama
Um copo sujo
de graça
Uma voz rouca
de graxa
Um colo amigo
de dor.
O melhor presente
no dia da dor
se esvaiu
em cinzas pelas calçadas.
E o papel que
eu escrevo
é turvo
desconexo
cor da cor
da última dor
da calçada.
Estou sentada
olhando o nada
porque é isso
que ainda me resta,
porque é isso
que sou agora.
digo
a fumaça circular
meu inimigo
de papel e cera
e vozes
que não dizem nada
e o nada
é sempre o mesmo
nada
quando se faz aniversário
em duas linhas.
O melhor presente
dos meus sentidos
é ter sentido
um colo
sujo
de lama
Um copo sujo
de graça
Uma voz rouca
de graxa
Um colo amigo
de dor.
O melhor presente
no dia da dor
se esvaiu
em cinzas pelas calçadas.
E o papel que
eu escrevo
é turvo
desconexo
cor da cor
da última dor
da calçada.
Estou sentada
olhando o nada
porque é isso
que ainda me resta,
porque é isso
que sou agora.
Terça-feira, Maio 5
Vontade
Hoje estou com vontade de música.
Daqueles vontades quentinhas de um fim de tarde vazio.
Daquelas vontades melancólicas quando não se tem mais esperança.
Hoje estou com vontade de devorar
Notas, letras, canções.
Cada gesto, cada cheiro,
dos cantinhos salgados de mar.
Hoje, não é mais hoje quando se tem desejos
Daqueles desejos irrealizáveis, tão longínquos,
dos quais me desponho a sonhar. Em vão.
Daqueles vontades quentinhas de um fim de tarde vazio.
Daquelas vontades melancólicas quando não se tem mais esperança.
Hoje estou com vontade de devorar
Notas, letras, canções.
Cada gesto, cada cheiro,
dos cantinhos salgados de mar.
Hoje, não é mais hoje quando se tem desejos
Daqueles desejos irrealizáveis, tão longínquos,
dos quais me desponho a sonhar. Em vão.
Segunda-feira, Abril 27
descendo os degraus
Atualmente.
A mesa se vira, o jogo se trái, a cena é contrária
a tantas outras cenas.
A mesa se vira, o jogo se trái, a cena é contrária
a tantas outras cenas.
Terça-feira, Abril 14
1
Se você morasse em selvas de pedra
fumaria.
Fumaria as fumaças que os carros soltam, as nebulosas nuvens que as indústrias fazem, fumaria o horror de tudo isso em seu pulmão.
Se você morasse em selvas de pedra
beberia.
Beberia as lágrimas cálidas derramadas pelas calçadas, entre risos e tropeços.
As lágrimas da convivência fria da vida, pelas ruas onde todos passam com pressa e ignoram sabores simples.
Se entorpeceria de angústia quando caminhasse por entre os muros rubros, esmagadores.
Enlouqueceria no silêncio, ficaria mudo, perderia os sentidos.
Seus passos seriam marcados, marchados, e seu olhar longínquo...
A cidade embrutece os corações. Embruteceu o meu.
fumaria.
Fumaria as fumaças que os carros soltam, as nebulosas nuvens que as indústrias fazem, fumaria o horror de tudo isso em seu pulmão.
Se você morasse em selvas de pedra
beberia.
Beberia as lágrimas cálidas derramadas pelas calçadas, entre risos e tropeços.
As lágrimas da convivência fria da vida, pelas ruas onde todos passam com pressa e ignoram sabores simples.
Se entorpeceria de angústia quando caminhasse por entre os muros rubros, esmagadores.
Enlouqueceria no silêncio, ficaria mudo, perderia os sentidos.
Seus passos seriam marcados, marchados, e seu olhar longínquo...
A cidade embrutece os corações. Embruteceu o meu.
Quarta-feira, Março 18
folhas secas
folhas secas
estão inundando a sala
torcendo o coração de dor,
e sem cor
o amor se vai.
estão inundando a sala
torcendo o coração de dor,
e sem cor
o amor se vai.